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A Mãe de Um Rio ePub

A Mãe de Um Rio ePub ebook download
Uma grande escritora portuguesa a descobrir!

Vi pela primeira vez este pequeno livro numa feira do livro no Continente enquanto deliciava os olhos pelas bancadas.
Tenho de admitir que o que me impeliu a adquiri-lo foi, na verdade, o facto de ser bilingue: português e francês, e como apaixonada que sou pela língua francesa não perdi a oportunidade de poder aliar o prazer de ler ao de aprender. Apesar de tudo, a sinopse também me deixou intrigada e curiosa pela história que contaria e lá parti eu para mais uma aventura!

De uma autora que pouco tinha ouvido falar e de que não esperava alguma vez ler, “A mãe de um rio” aborda “uma mulher que dominavam a língua das gralhas e vivia numa pequena casa feita de barro, na serra da Nave”. Contudo, esta não era uma simples mulher. Tinha já vivido mil anos e continuava a sua tarefa de guardiã do rio “que se estendia pelos imensos veios da serra da Nave”. É neste contexto que aparece Fisalina: uma rapariga triste e sonhadora que morava na aldeia de Alveus (hoje em dia, Alvite) perto da nascente do rio. A partir da sua introdução, os seus destinos e os nossos cruzam-se para sempre…

“Não existia o trigo nem a mão humana, nem mesmo o sono ou a dificuldade, que foi o segundo grito da criação. Passamos hoje por um caminho que tem nele marcado outras pegadas, e ocorrem-nos as histórias doutras ideias. Por deserto que esteja o campo e frio o sol, o tempo está presente e nos penetra de sabedoria e de fortaleza. A única solidão é aquela que não tem passado.” P.9

Após a leitura deste conto é impossível não sentirem a magia daquele rio e da excelente escrita de Agustina Bessa-Luís. Fiquei completamente inebriada e ao fim de tantos anos a ler sobretudo literatura estrangeira é reconfortante ler algo tão rico e cativante na nossa língua materna.

“ – (…) Posso eu respirar se não sair dos meus próprios pulmões? Posso existir se não acabar a terra debaixo dos meus pés? Ouve-me, ó ventre dum rio. Eu quero andar e não tenho movimento. Amaldiçoa-me, mas deixa-me ser livre.” P. 18

Em apenas 27 páginas, é-nos contado uma história sobre descoberta pessoal, maldições, desconfiança e da procura do nosso lugar no mundo. Por vários factores, este conto fez-me lembrar da tão amada “A pequena sereia” e dos livros de Marillier. A primeira devido à procura da realização de um sonho, pelo pedido de ajuda a alguém poderoso mas, principalmente, por causa da maldição; a segunda referência deveu-se às descrições da natureza e ambiente circundante.

“ – (…) A chuva desfez as nossas pegadas, e os nossos suspiros alcançaram já a Lua, de tanto que o vento os afastou.” P. 24


+ Belas descrições
+ Linguagem riquíssima que combina com o tipo de história contada
+ Conto simples que apetece ler e reler vezes sem conta
+ 27 Páginas plenas de emoções, marcadas por um certo encantamento
+ Uma história, duas línguas: português e francês (um bónus para os apaixonados por francês)
+ Lê-se em menos de uma hora


O final tem o seu quê de mistério e eternidade próprio do estilo daquelas histórias tradicionais narradas à volta da lareira numa noite fria de Inverno. A linguagem riquíssima e ao mesmo tempo estruturalmente simples alia-se no feitiço de deslumbramento do leitor/espectador. Por tudo isto, surpreendeu-me mais do que estava à espera!
Estamos diante um conto que dá asas à nossa imaginação, abre a mente para uma dimensão mágica no nosso dia-a-dia, por vezes monótono, e é também uma prova de que os contos não são só para crianças.

Link interessante sobre reflexões sobre o imaginário pagão em Agustina Bessa-Luís :
http://www.unigranrio.br/unidades_aca...

Trailer do filme "Inquietude" (1998), de Manoel de Oliveira, que aborda este conto: http://www.youtube.com/watch?v=1hCAur...
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